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A Venezuela de novo na mira dos golpistas
Par Oscar Fortin
Mondialisation.ca, 18 février 2014

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Depois da tomada democrática do poder pelo povo venezuelano em 1998, os inimigos da democracia ainda não pararam de tentar, por todos os meios, o retornar as suas mãos o poder, que tão bem lhes tinha servido. Esses inimigos da democracia tem um nome, mas até hoje os seus diabólicos projetos, de criar por ações terroristas as condições para um golpe de estado, tem sido um fracasso.

Em abril de 2002, de quando do Golpe de Estado na Venezuela, que não durou mais que algumas dias, podendo contar-se em não muitas horas, nós pudemos ver quem é que estava por detrás das manifestações violentas. Entre essas pessoas lá estavam os patrocinadores das mesmas representando as mais altas instâncias. A Igreja Católica estava representada pelo seu cardeal. Depois também lá estavam, entre outros, inúmeros representantes do sector das comunicações, do comércio e da indústria.  A mão invisível de Washington estava sendo assunto em todas as bocas, e o presidente americano de então, George W. Bush, foi o primeiro a reconhecer o governo golpista, produto de milhões de dólares investidos para derrubar Chavez, e retornar o controle do país.

Agora um cenário semelhante está se vivendo na Venezuela. Não se trata de manifestações espontâneas, como a mídia servindo os interesses do império e das oligarquias desejam que se acredite. Trata-se aqui de um plano muito bem estruturado e organizado, cujo objetivo é a derrubada do governo e a tomada do poder pela força. Os dólares é que não faltam para que se corrompa. Aqui também não há falta de cúmplices para fazer o trabalho sujo.

Já a alguns meses os venezuelanos vem sendo submetidos a uma guerra comercial, a qual tem o objetivo de privá-los dos produtos essenciais para a sua subsistência, e a manutenção da vida quotidiana. O primeiro ponto desse plano consiste em deixar dentro dos armazéns e dos grandes recipientes, nos containers,  os produtos de primeira necessidade para a alimentação e lazer da população. Foi assim os centros de compras e especiarias ficaram sofrendo falta de muitos produtos. A isso ainda se ajuntou a especulação sobre os preços do que ainda estava disponível. O objetivo era o de virar a população contra o governo, e alimentar a avidez da mídia a respeito do fiasco desse socialismo, para que pudessem então dizer que esse socialismo criava  falta de tudo, privando dessa maneira o povo venezuelano dos produtos mais importantes e essenciais.

Que se traga então a memória que foi  exatamente esse tipo de desejado cenário que motivou a colocação do bloqueio econômico contra Cuba.

Em 1960 Lester D. Mallory, então sub-secretário assistente do Estado em Negócios interamericanos dos Estados Unidos, escreveu num memorandum que a única maneira de se derrubar Castro seria com a provocação « da fome e do desespero » entre os cubanos, a fim de que esses viessem a « derrubar o governo », o qual era apoiado pela « grande maioria dos cubanos ». Ele declarou ainda que nesse objetivo o governo americano deveria utilizar « todos os meios possíveis para minar a vida econômica de Cuba » 19.

Nós sabemos que o presidente Maduro respondeu com determinação a esse primeiro ponto do plano de destabilização. Ele pôs em dia os armazèns e containers, os grandes recipientes, completos e cheios com todas as mercadorias pondo-as em circulação nos grandes locais comerciais. Para conter a especulação sobre os preços ele fixou um preço máximo para os diversos produtos,  pondo um teto de 30% aos lucros, o qual deveria basear-se no valor básico dessas mercadorias.

Na quarta, 12 de fevereiro, nós vimos  o segundo ponto do plano. Estudantes, bem remunerados, foram mobilizados para sairem as ruas, protestar, provocar incidentes violentos, saquear repartições públicas e criar um clima de crise, o que permitiria a mídia, abaixo de controle do império e das oligarquias, de difundir pelo mundo imagens mostrando os estudantes em revolta contra o governo sendo fortemente reprimidos pelas forças policiais.

Até agora o governo e as forças policiais tem agido com contenção, tomando medidas com moderação, e não deixando nada de sobra para a mídia se não as ações dos próprios estudantes e dos paramilitares infiltrados no movimento. A mídia irá apelar a truques com suas  fotos velhas, isso para assegurar a cobertura internacional. A história dssa montagem de velhas fotos foi trazida a luz pelo governo. Tudo ficou  já muito bem demonstrado.

Trata-se aqui de um plano implicando altos dirigentes da oposição venezuelana,  infiltração de paramilitares feita através dos estudantes, representantes da mídia  particular da Venezuela, e como se poderia prever, de Washington com seus milhões de dólares, e suas agências de sabotagem como por exemplo a CIA. Quanto a Igreja Católica ela habitualmente sempre está pronta a condenar a violência e o desrespeito a constituição, mas isso então discretamente demais. Poderia-se aqui confirmar o ditado que diz que quem silencia, consente?

É importante se ressaltar aqui um personagem importante da Igreja e da América Latina. Trata-se de um cardeal hondurano, o cardeal Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga. Para os que não o conhecem, esse é o cardeal de Honduras que não exitou em colaborar, em junho de 2009, com os golpistas a fim de caçar, pela força das armas, o legítimamente eleito presidente Manuel Zelaya. Esse cardeal é também um dos homens de confiança do papa Francisco. O cardeal Oscar Rodriguez trabalha  como coordenador do grupo conselheiro do papa para a reforma da cúria romana.

Esse cardeal, bem ligado a Washington e ao Vaticano, fiél aliado das oligarquias de Honduras, falou com  jornalistas em Berlin, ou melhor, discursou para eles, o que só poderia fazer que se pensasse que esse cardeal seria capaz de remover montanhas.

Depois de ter constatado que a globalização era um grande fracasso, e que a corrupção se alastrava, ele proseguiu zelosamente denunciando que o mesmo estava acontecendo ao sistema venezuelano, que também seria um grande fracasso, onde a corrupção perdurava, ainda que fosse com novas personagens.

Foi dito que  situaçäo exigia um novo sistema de governo e de democracia.

« Quando, exclamou ele, aqui chegará uma Primavera Latinoamericana?  »

Esse apelo a uma primavera latinoamericana se põe em direta relação com as primaveras árabes no Oriente Médio. Isso soa falso, e deveria levantar suspeitas. Ele finge ignorar tudo o que se passa atualmente na América Latina. Ele parece não ver o que se passa no Equador, na Bolívia, na Nicaragua, na Argentina, no Brasil e mesmo em Cuba. Ele desqualifica, sem nenhuma consideração, a Venezuela de Chavez e o socialismo do século XXI, do qual ele se guarda de mencionar. Ele parece não ver então o que se passa com a UNASUR, coma a MERCOSUR, com a ALBA e a CELAC. Ele age como se nada disso existisse. Nós poderíamos pensar que ele está em serviço, abaixo de comandado, preparando o espírito para futuras ações de sabotagem e manipulação trazendo os ares de uma nova primavera para a América Latina.

Por seu silêncio selectivo, e seus discursos sobre uma desejada primavera latinoamericana, a qual poderia já estar em marcha a alguns anos, ele abre as portas a “salvadores humanitários” que sabem como fazer bons trabalhos de sabotagem, assim também como massacres, como os do Iraque, da Líbia e agora os da Síria.  [aspas acrescentadas]

Realmente, isso nos faz refletir.

Esse cardeal não me inspira realmente nenhuma confiança. Com as suas palavras e propostas ele estimula, entre outras coisas, manifestações de sabotagem, as quais poderiam ser planejadas e organizadas desde Washington.

O futuro nos dirá, em breve, se a política do Vaticano irá se ajustar as exortações apostólicas do papa Francisco, se irão permanecer como estão, ou piorar.

Nesse meio tempo o povo da Venezuela, assim como a solidariedade latinoamericana, deveria estar preparado para lutar contra novos golpes de estado na América Latina. Seria melhor que o povo contasse só consigo mesmo, não esperando nada de falsos salvadores da humanidade, alimentados pela ganância e ambições de poder. Mais uma vez o povo de Chavez e por conseguinte a América Latina provavelmente terá que vencer  esses abutres.

Oscar Fortin

Québec, 14 de fevereiro de 2014-02-17

Artigo em francês :

VenezuelaLe Venezuela de nouveau dans la mire des putschistes, 14 de fevereiro de 2014

http://humanisme.blogspot.com

Tradução Anna Malm – http://artigospoliticos.wordpress.com


Ler :

http://www.legrandsoir.info/venezuela-amorce-d-un-putsch.html

Aqui eu [Oscar Fortin] apresento alguns trechos da entrevista de imprensa do cardeal com uma tradução livre.[ênfases acrescentada]

[A] – Esto lleva (fracaso de la globalización) a la tentación de otro tipo de liderazgo”, argumentó Rodríguez Madariaga y puso como ejemplo a Venezuela, un sistema que también “es un gran fracaso” ya que, a su juicio, es tan sólo “la misma corrupción con otra cara”.

[B] – Cela (l’échec de la globalisation) nous conduit à la tentation d’un autre type de direction, argumenta Rodriguez Maradiaga et il donna comme exemple le Venezuela, un système qu’est aussi un grand échec, lequel, à son jugement, comporte la même corruption avec un autre visage. »

Português: Isso leva ao (fracasso da globalização] e nos leva a tentação [de desejar] um outro tipo de liderança, disse Rodriguez Madariaga dando como exemplo a Venezuela, enquanto acrescentando que essa tinha também um sistema muito fracassado. Seria simplesmente a mesma corrupção com uma nova aparência.  [aspas não colocadas]

[A] – “¿Cuándo vendrá la Primavera Latinoamericana?”, se preguntó el cardenal hondureño haciendo un paralelismo con lo sucedido en las revoluciones que arrancaron en 2011 el mundo árabe.

[B] – Pour quand le printemps Latino-américain ? se demanda le cardinal en faisant référence avec les révolutions qui transformèrent, en 2011, le monde arabe.

Português: Quando virá a Primavera Latinoamericana? Perguntou-se o cardeal hondurenho fazendo um paralelismo com o sucedido nas revoluções que começaram no mundo árabe em 2011.

[A] – A su juicio, la solución pasa por un “cambio del modelo de desarrollo”, ya que la “globalización ha sido un fracaso” que no ha servido para mejorar la vida de los millones de personas que viven en la pobreza.

[B] -Selon lui la solution passe par un changement de modèle de développement, étant donné que la globalisation a été un échec qui n’a pas servi à améliore la vie de millions de personnes qui vivent dans la pauvreté.

Português: Na opinião do cardeal a solução seria “mudar o modelo de desenvolvimento” já que a globalização se apresentava como um fracasso, não tendo servido para melhorar a vida de milhões de pessoas vivendo na pobreza.

http://www.periodistadigital.com/religion/america/2014/01/17/maradiaga-la-globalizacion-ha-sido-un-fracaso-es-una-mascara-para-un-monopolio-escondido-religion-iglesia-latinoamerica.shtml

 

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