Afeganistão: o que a ministra italiana dos negócios estrangeiros Federica Mogherini não diz

A Itália não abandonará o Afeganistão com o final do trabalho da ISAF, Força Internacional de Assistência e Segurança, mas irá continuar com os compromissos tomados : isso é o que assegura Federica Mogherini (Partido Democrático, ministra dos negócios exteriores do governo Renzi) para o il manifesto de 7 de junho [1].

As Forças Aéreas explicam a natureza desses compromissos : em seis anos os caças italianos de bombardeios efetuaram 3583 saídas, “esses objetivos nunca foram antes obtidos, ou teriam sido iguais, para os velozes aeroplanos italianos em suas operações fora das fronteiras nacionais da Itália, depois do fim da segunda guerra mundial”.

Em sua missão de 28 de maio, dois caças Amx de bombardeio destruiram o objetivo designado por um drone Predator, e pela força de ocupação e tarefas Victor – “Task Force Victor” (classificada como uma “unidade especial e semi-secreta” pela revista italiana de defesa, Rivista Italiana Difesa/ Revue Italienne Défense). No meio tempo os helicópteros Mangusta do exército, baseados em Herat, ultrapassaram o limiar das 10 mil horas de voo. Entretanto, os compromissos das forças armadas italianas no Afeganistão tem um nome, que Mongherini não quer pronunciar :- guerra. Essa não terminará com o fim da ISAF. “A Nossa Task Força Conjunta – comunica a aeronáutica – continuará a operar no Afeganistão com os aviões tácticos de transporte C-130J, e os aviões de guerra eletrônica EC-27 da 47ª- Brigada aérea de Pisa, e dos velozes aeroplanos a pilotagem de controle remoto do Predator B do 32º- Grupo de Amendola”. Em outras palavras, a guerra irá continuar de forma encoberta, com as unidades aéreas ad hoc, ou seja para esta finalidade, e com as unidades das forças especiais, que terão também a finalidade de treinar as forças da região. Tudo sempre abaixo do comando dos Estados Unidos. Depois de 13 anos essa guerra já custou mais do que 600 bilhões de dólares (nada entrando na despesa militar oficial). Entretanto, o controle do país ainda não conseguiu ser assegurado, e agora tentam isso o conseguir, através da nova estratégia acima delineada. Com esse objetivo o presidente Obama convocou o primeiro ministro italiano Renzi para lhe transmitir diretamente as suas ordens. A Itália continuará assim a participar de uma guerra que causará ainda mais vítimas e tragédias sociais, assim como uma maior perda de vidas.

O Afeganistão – situado na encruzilhada entre a Ásia central e do sul, ocidental e oriental – é de uma primeira importância geoestratégica em relação a Rússia, China, Irã e Paquistão, assim como em relação as reservas energéticas do Mar Cáspio, e do Golfo. O Afeganistão ganhou uma importância maior hoje, onde a estratégia USA/OTAN está a caminho de conduzir uma nova confrontação com a Rússia e, enfim, com a China também. Continuar no Afeganistão significa não só continuar a participar dessa guerra, mas estar ligado a uma estratégia que tem em vista uma presença militar ocidental cada vez maior na região Ásia/Pacífico. De acordo com a apresentação de Mogherini, o importante axel alinhado com os compromissos da Itália no Afeganistão seria “o apoio a sociedade civíl”, dentro do cenário do Acordo de Associação assinado em Roma, em 2012, por Monti e Karzai, e aprovado pela Câmara com uma esmagadora maioria, e pelo senado, em unanimidade. Esse acordo conta com a concessão de um crédito de 150 bilhões de euros para o governo afegão destinado a realização de uma “infraestructura estratégica” em Herat (enquanto Aquila e outras zonas em estado catastrofal não receberam nada para sua reconstrução) e para outros financiamentos, que irão se juntar aos outros cerca de 5 bilhões de euros despendidos até aqui nas operações militares. A ajuda econômica de 4 bilhões de dólares anuais que os “doadores” (entre eles a Itália) se comprometeram a fornecer a Kabul, acabará em grande parte nos bolsos exclusivos da elite dominante : como os da família Karzai, que se enriqueceu com os bilhões da OTAN, os negócios clandestinos, e o tráfico de drogas. Moguerini anuncia entretanto que o compromisso do governo irá “aumentar os recursos tornando os também mais estáveis”.

Uma parte do dinheiro irá servir para financiar as ONG, organizações não governamentais, NGOs na sigla inglesa, encaixadas no sistema, tais como enfermarias e hospitais da Cruz Vermelha, que cuidarão das lesões de guerra para lhes dar uma aparência mais “humanitária”.

 

Edição de 3ª-feira,10 de junho de 2014 de il manifesto

http://ilmanifesto.info/cio-che-mogherini-non-dice/

Traduzido por Anna Malm, artigospoliticos.wordpress.com, para Mondialisation.ca

 

[1] http://ilmanifesto.info/lettera-della-ministra-mogherini-in-risposta-ad-afgana/



Articles Par : Manlio Dinucci

A propos :

Manlio Dinucci est géographe et journaliste. Il a une chronique hebdomadaire “L’art de la guerre” au quotidien italien il manifesto. Parmi ses derniers livres: Geocommunity (en trois tomes) Ed. Zanichelli 2013; Geolaboratorio, Ed. Zanichelli 2014;Se dici guerra…, Ed. Kappa Vu 2014.

Avis de non-responsabilité : Les opinions exprimées dans cet article n'engagent que le ou les auteurs. Le Centre de recherche sur la mondialisation se dégage de toute responsabilité concernant le contenu de cet article et ne sera pas tenu responsable pour des erreurs ou informations incorrectes ou inexactes.

Le Centre de recherche sur la mondialisation (CRM) accorde la permission de reproduire la version intégrale ou des extraits d'articles du site Mondialisation.ca sur des sites de médias alternatifs. La source de l'article, l'adresse url ainsi qu'un hyperlien vers l'article original du CRM doivent être indiqués. Une note de droit d'auteur (copyright) doit également être indiquée.

Pour publier des articles de Mondialisation.ca en format papier ou autre, y compris les sites Internet commerciaux, contactez: [email protected]

Mondialisation.ca contient du matériel protégé par le droit d'auteur, dont le détenteur n'a pas toujours autorisé l’utilisation. Nous mettons ce matériel à la disposition de nos lecteurs en vertu du principe "d'utilisation équitable", dans le but d'améliorer la compréhension des enjeux politiques, économiques et sociaux. Tout le matériel mis en ligne sur ce site est à but non lucratif. Il est mis à la disposition de tous ceux qui s'y intéressent dans le but de faire de la recherche ainsi qu'à des fins éducatives. Si vous désirez utiliser du matériel protégé par le droit d'auteur pour des raisons autres que "l'utilisation équitable", vous devez demander la permission au détenteur du droit d'auteur.

Contact média: [email protected]