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Afeganistão: o que a ministra italiana dos negócios estrangeiros Federica Mogherini não diz
Par Manlio Dinucci
Mondialisation.ca, 16 juin 2014
ilmanifesto.it
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A Itália não abandonará o Afeganistão com o final do trabalho da ISAF, Força Internacional de Assistência e Segurança, mas irá continuar com os compromissos tomados : isso é o que assegura Federica Mogherini (Partido Democrático, ministra dos negócios exteriores do governo Renzi) para o il manifesto de 7 de junho [1].

As Forças Aéreas explicam a natureza desses compromissos : em seis anos os caças italianos de bombardeios efetuaram 3583 saídas, “esses objetivos nunca foram antes obtidos, ou teriam sido iguais, para os velozes aeroplanos italianos em suas operações fora das fronteiras nacionais da Itália, depois do fim da segunda guerra mundial”.

Em sua missão de 28 de maio, dois caças Amx de bombardeio destruiram o objetivo designado por um drone Predator, e pela força de ocupação e tarefas Victor – “Task Force Victor” (classificada como uma “unidade especial e semi-secreta” pela revista italiana de defesa, Rivista Italiana Difesa/ Revue Italienne Défense). No meio tempo os helicópteros Mangusta do exército, baseados em Herat, ultrapassaram o limiar das 10 mil horas de voo. Entretanto, os compromissos das forças armadas italianas no Afeganistão tem um nome, que Mongherini não quer pronunciar :- guerra. Essa não terminará com o fim da ISAF. “A Nossa Task Força Conjunta – comunica a aeronáutica – continuará a operar no Afeganistão com os aviões tácticos de transporte C-130J, e os aviões de guerra eletrônica EC-27 da 47ª- Brigada aérea de Pisa, e dos velozes aeroplanos a pilotagem de controle remoto do Predator B do 32º- Grupo de Amendola”. Em outras palavras, a guerra irá continuar de forma encoberta, com as unidades aéreas ad hoc, ou seja para esta finalidade, e com as unidades das forças especiais, que terão também a finalidade de treinar as forças da região. Tudo sempre abaixo do comando dos Estados Unidos. Depois de 13 anos essa guerra já custou mais do que 600 bilhões de dólares (nada entrando na despesa militar oficial). Entretanto, o controle do país ainda não conseguiu ser assegurado, e agora tentam isso o conseguir, através da nova estratégia acima delineada. Com esse objetivo o presidente Obama convocou o primeiro ministro italiano Renzi para lhe transmitir diretamente as suas ordens. A Itália continuará assim a participar de uma guerra que causará ainda mais vítimas e tragédias sociais, assim como uma maior perda de vidas.

O Afeganistão – situado na encruzilhada entre a Ásia central e do sul, ocidental e oriental – é de uma primeira importância geoestratégica em relação a Rússia, China, Irã e Paquistão, assim como em relação as reservas energéticas do Mar Cáspio, e do Golfo. O Afeganistão ganhou uma importância maior hoje, onde a estratégia USA/OTAN está a caminho de conduzir uma nova confrontação com a Rússia e, enfim, com a China também. Continuar no Afeganistão significa não só continuar a participar dessa guerra, mas estar ligado a uma estratégia que tem em vista uma presença militar ocidental cada vez maior na região Ásia/Pacífico. De acordo com a apresentação de Mogherini, o importante axel alinhado com os compromissos da Itália no Afeganistão seria “o apoio a sociedade civíl”, dentro do cenário do Acordo de Associação assinado em Roma, em 2012, por Monti e Karzai, e aprovado pela Câmara com uma esmagadora maioria, e pelo senado, em unanimidade. Esse acordo conta com a concessão de um crédito de 150 bilhões de euros para o governo afegão destinado a realização de uma “infraestructura estratégica” em Herat (enquanto Aquila e outras zonas em estado catastrofal não receberam nada para sua reconstrução) e para outros financiamentos, que irão se juntar aos outros cerca de 5 bilhões de euros despendidos até aqui nas operações militares. A ajuda econômica de 4 bilhões de dólares anuais que os “doadores” (entre eles a Itália) se comprometeram a fornecer a Kabul, acabará em grande parte nos bolsos exclusivos da elite dominante : como os da família Karzai, que se enriqueceu com os bilhões da OTAN, os negócios clandestinos, e o tráfico de drogas. Moguerini anuncia entretanto que o compromisso do governo irá “aumentar os recursos tornando os também mais estáveis”.

Uma parte do dinheiro irá servir para financiar as ONG, organizações não governamentais, NGOs na sigla inglesa, encaixadas no sistema, tais como enfermarias e hospitais da Cruz Vermelha, que cuidarão das lesões de guerra para lhes dar uma aparência mais “humanitária”.

 

Edição de 3ª-feira,10 de junho de 2014 de il manifesto

http://ilmanifesto.info/cio-che-mogherini-non-dice/

Traduzido por Anna Malm, artigospoliticos.wordpress.com, para Mondialisation.ca

 

[1] http://ilmanifesto.info/lettera-della-ministra-mogherini-in-risposta-ad-afgana/

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