Print

As Forças Especiais Globalizadas
Par Manlio Dinucci
Mondialisation.ca, 20 mai 2014
ilmanifesto.it
Url de l'article:
https://www.mondialisation.ca/as-forcas-especiais-globalizadas/5382934

As vezes se descobre por acaso uma “guerra encoberta”, como foi o caso em Iémen, onde em Sanaa um membro da Força Especial dos Estados Unidos e um agente da CIA dispararam contra um homem matando-o. De acordo com a versão oficial tratava-se de um terrorista da Al Qaeda que os queria raptar. O fato muito mal esclarecido levantou uma onda de protestos contra o governo que é acusado de permitir que os drones assassinos da CIA possam operar no Iémen a partir de uma base militar saudita.

O Pentágono – confirma o New York Times – intensificou as ações de suas forças especiais no Iémen. Esse é um país muito importante pela sua posição geoestratégica no Estreito Bab-El-Mandeb o qual está localizado entre o Oceano Índico e o Mar Vermelho. Esse estreito é a principal rota comercial, assim como petrolífera, entre a Ásia e a Europa. Bem em frente ao Iémen, a apenas 30  km da costa, do outro lado do estreito, encontra-se Jibuti onde então está estacionada a Força de Ocupação conjunta para o Chifre da África, formada por cerca de quatro mil homens da Força Especial dos Estados Unidos. Com helicópteros e aeronaves especiais se estão efetuando incursões noturnas, e isso então especialmente na vizinha Somália e no Iémen, com a ajuda de empreiteiros em contrato, como atiradores para alvos determinados, ou escolhidos ao acaso, e especialistas na técnica de assassinatos. Forças especiais foram postas a disposição do Comando África, o qual está operando na Nigéria, e em muitos outros países do continente. O Comando África faz parte do Comando das Operações Especiais, USSOCOM, que depois de ter sido usado pelo republicano Bush, especialmente no Afeganistão e Iraque, e correntemente pelo democrata Obama, assumiu agora ainda maior importância. A administração de Obama – diz o Washington POst – “prefere mais o uso da ação camuflada e emcoberta do que o uso da força convencional” – «preferisce l’azione coperta piuttosto che l’uso della forza convenzionale»

O comandante do USSOCOM [ comando de operações especiais dos Estados Unidos ] o almirante William McRaven, declarou a um mês atrás, para uma comissão do senado dos Estados Unidos, que as forças do país para operações especiais estavam agindo em 78 países, fosse em ações diretas ou em instrução e treino de forças locais. O almirante não especificou em que países, dizendo sómente que no Afeganistão tinha sido estabelecido um novo comando das forças especiais, o que incluiria então as forças da OTAN. Isso significa que a guerra US/OTAN não está a terminar, mas a se transformar numa guerra “encoberta”.

Outras fontes oficiais confirmaram que forças especiais foram deslocadas para treinar e dirigir grupos armados para a “guerra encoberta” na Síria (como também já se tinha feito na Líbia). Seguindo sempre mais empenhadas tem-se as forças especiais na Europa do Leste, como confirma uma documentação fotográfica que mostra ucranianos neonazistas da Uno-Unso que já tinham sido treinados em 2006, na Estónia. Mas, o USSOCOM ainda tem mais uma a ser apresentada: na sua visão para 2020 –  «Visione 2020» – ele prevê a “construção de uma rede global de forças para as operações especiais”, o que incluiria aquelas dos países aliados, entre os quais se encontra a Itália, postas abaixo do comando dos Estados Unidos.

Dessa maneira, a decisão de ir a guerra se tornará tarefa de um domínio ainda mais exclusivo posto agora mais firmemente abaixo do poder das elites [o que entre muitos outros fatores faz parte do atual processo da privatização do uso da força militar ]. Tem-se aqui então que os parlamentos, ou seja a democracia, perderá ainda mais do pouco poder de decisão que ainda lhe resta, enquanto a guerra irá desaparecendo das vistas da opinião pública, que já acredita que só o que se vê existe realmente. Isso pode-se ver claramente em relação as vertentes principais da mídia, distorcendo e falsificando a realidade.

Tem-se aqui, por exemplo,a atual campanha conduzida pela Casa Branca para a libertação das meninas e jovens nigerianas raptadas. Isso enquanto no Iémen, controlado pelas Forças Especiais dos Estados Unidos, um muito grande número de crianças e jovens provenientes da África, a preços reduzidos e a cada ano, são jogadas na escravidão sexual por ricos iemenitas e sauditas, aliados de Washington.

Manlio Dinucci

ilmanifesto.it, 15 de maio de 2014

Tradução Anna Malm, artigospoliticos.wordpress.com, para Mondialisation.ca

 

Avis de non-responsabilité: Les opinions exprimées dans cet article n'engagent que le ou les auteurs. Le Centre de recherche sur la mondialisation se dégage de toute responsabilité concernant le contenu de cet article et ne sera pas tenu responsable pour des erreurs ou informations incorrectes ou inexactes.