Print

Escola dos Predadores na Itália
Par Manlio Dinucci
Mondialisation.ca, 25 juin 2015
ilmanifesto.info
Url de l'article:
https://www.mondialisation.ca/escola-dos-predadores-na-italia/5459743

Há uma semana, no Salão Aeroespacial de Le Bourget, em Paris, a direção de armamentos aeronáuticos do Ministério da Defesa da Itália firmou um contrato com a canadense CAE para a realização da primeira escola europeia de drones militares Predator (predador) da estadunidense General Atomics.

Um contrato anterior previa o fornecimento de um simulador de voo somente para o modelo MQ-1 Predator, enquanto que o novo permite treinar os telepiotos também para o Predator B/MQ-9 Reaper, ambos em dotação à aeronáutica italiana. Realizar-se-á assim o sonho de Roberta Pinotti que tinha anunciaido o projeto na “Convenção sobre o futuro do domínio aeroespacial nacional e europeu” (Florença, 24 de outubro de 2014).

O projeto é sustentado pelo Pentágono, em cujas escolas são treinados até agora os telepilotos europeus dos Predadores: como deve hoje formar mais telepilotos de drones do que os pilotos de caças-bombardeiros, o Pentágono necessita de outros centros de treinamento no âmbito da Otan. A aeronáutica italiana e as de outros países da União Europeia pertencentes à Otan disporão, portanto, a partir de 2016, da escola de Amendola. Aqui os telepilotos europeus serão treinados em missões, seja de reconhecimento e identificação de objetivos, que eram afetuados até agora pelos Predadores usados pela aeronáutica italiana, seja de ataque com os MQ-9 Reaper, que são efetuados pelo Pentágono e a CIA no Afeganistão, Paquistão, Iraque, Iêmen, Somáia e outros países. O Reaper (Triturador, obviamente de vidas humanas), com 10 metros de comprimento e 20 metros de envergadura de asas, pode ser armado com 14 mísseis AGM-114 Hellfire (Fogo do inferno), além de com duas bombas guiadas a laser GBU-12 Paveway II ou GBU-38 JDAM, guiado por satélite.

Os telepilotos, sentados diante de telas nas suas cabines a milhares de quilôlmetros de distância, uma vez identificado o “alvo” através de sensores eletro-óticos e outros do drone, comandam com o controle remoto o lançamento dos mísseis e das bombas. É o novo modo de fazer a guerra, apresentado como “cirúrgico”. Os “danos colaterais” são, porém, frequentes: para golpear um suposto terrorista, os drones assassinos destroem frequentemente uma casa inteira, matando mulheres e crianças, ou o telepiloto confunde um grupo de pessoas numa festa de casamento com um perigoso grupo de pessoas armadas e lança o “Fogo do inferno” com ogivas termobáricas ou de fragmentação, ou lança os artefatos devido à fatigante jornada de trabalho na cabine dos telepilotos.Contribuirá com tudo isto a escola europeia de drones militares, cuja localização na Itália não é casual. A Itália foi o primeiro país na União Europeia a adquirir os Predadores estadunidenses e a usá-los em “missões internacionais” (Afeganistão, Iraque, Líbia, Chifre da África), a primeira que permitiu que os drones militares operassem no espaço aéreo nacional pondo em risco os voos civis. Em Sigonella operam há anos os drones Global Hawk (Falcões Globais), e também os Predadores armados, pela Marinha dos Estados Unidos. Na mesma base entrará em funcionamento em 2016 o sistema AGS da Otan que, com o Global Hawk, monitorará uma vasta área, da África ao Oriente Médio, em apoio às operações da Otan. O uso dos drones militares se intensificará com a missão da União Europeia “contra os traficantes de seres humanos no Mediterrâneo”, passaporte de uma operação sob a direção da Otan para uma intervenção militar na Líbia.E a ministra Pinotti, visitando Amendola, poderá congratular-se com os telepilotos dos Predadores, como fez na mesma base o premiê D’Alema quando, em 10 de junho 1999, se congratulou com os pilotos italianos que tinham bombardeado a Iugoslávia, sublinhando que tinham feito “uma grande experiência humana e profissional”.

Manlio Dinucci
Artigo em italiano:
Tradução por : vermelho.org.br

Manlio Dinucci : Jornalista, geógrafo e cientista político. Escreve regularmente no jornal italiano Il Manifesto

Avis de non-responsabilité: Les opinions exprimées dans cet article n'engagent que le ou les auteurs. Le Centre de recherche sur la mondialisation se dégage de toute responsabilité concernant le contenu de cet article et ne sera pas tenu responsable pour des erreurs ou informations incorrectes ou inexactes.