Indústria do Terror: EUA e OTAN Financiam Boko Haram e Estado Islamita

Segundo o sociólogo e ex-funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Oriente e Oriente Médio, Juan Francisco Coloane, organizações terroristas como Boko Haram e o autodenominado Estado Islamita (EI) são subcontratadas por transnacionais ocidentais, a fim de justificar a ocupação das grandes potências em nações estratégicas, desta maneira perpetuando sua hegemonia sobre países emergentes tais como Rússia, China e mesmo a Índia. O sociólogo chileno ainda detalhou neste dia 21 que, entre os principais contratistas da « indústria do terror », estão os Estados Unidos e a OTAN.Coloane afirmou também que o motivo pelo qual se torna tão difícil combater a rede terrorista mais letal do mundo, o EI, é justamente o fato de governos ocidentais – incluindo exatamente aquele que se proclama maior combatente do terror global, isto é, Washington – estarem por trás dele através do financiamento e de uma série de estratégias a fim de gerar « sistemas caóticos » em países geoestratégicos como Iraque, Síria e Nigéria, ricos em recursos energéticos, especialmente em petróleo.Acrescente-se nesta lista de países inflados pelo terror made in West o próprio Afeganistão: invadido pelo regime de Washington em 2001 sob pretexto de combate o terror global, foi neste país centro-asiático que Al-Qaeda e Taliban foram criados, treinados e financiados por Washington através da invasão secreta da CIA (http://www.globalresearch.ca/articles/BRZ110A.html) em 1979 a qual precedeu à soviética, contrariando a versão contada até hoje pela mídia subserviente aos porões do poder e pelos livros de História ocidentais.

Exatamente naquela época a jihad como prática de terror foi ensinada por livros didáticos produzidos em solo norte-americano, exportados a madrassas (escolas de fundamentalismo religioso) no Afeganistão e no vizinho Paquistão. Neste vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=d4lf0RT72iw), Zbigniew Brzezinski, então conselheiro de Segurança nacional do presidente estadunidense Jimmy Carter, pousa de helicóptero entre combatentes afegãos com aspecto um tanto messiânico, incentivando-os a praticar a jihad sob entusiásticos aplausos dos novos extremistas religiosos.

Anos mais tarde, Ronald Reagan declararia (https://www.youtube.com/watch?v=Zo17biJzRtc) que os afegãos jihadistasassemelhavam-se aos pais fundadores dos Estados Unidos em sua luta por liberdade, e receberia alguns dos senhores da guerra na Casa Branca a fim de discutir estratégias de combate (imagem abaixo).

Além de altamente rico em reservas minerais e em gás natural (http://www.globalresearch.ca/the-war-is-worth-waging-afghanistan-s-vast-reserves-of-minerals-and-natural-gas/19769) o Afeganistão é rico em ópio, do qual se produz a heroína: o narcotráfico traçado a partir de solo afegão pela CIA tem financiado o imperialismo norte-americano a nível global, que fornece dólares e até armas a setores opositores a governos que não se submetem aos ditames de Washington. Tal fato é comprovado historicamente também na América Latina, região mais rica em biodiversidade do planeta, através de golpes militares, e hoje especificamente em países como Brasil, Venezuela (maior reserva petrolífera do mundo), Bolívia e Equador.

Sobre o narcotráfico a partir de solo afegão, vale notar (conforme aponta gráfico abaixo), que durante o primeiro período que correspondeu à ocupação dos Estados Unidos no país centro-asiático, a produção de ópio atingiu números alarmantes. Porém, a produção de ópio chegou a quase zero em 2001, menos de cinco anos após o Taliban ter assumido o poder que marcou certo distanciamento dos Estados Unidos no Afeganistão, dada a oposição do regime afegão ao imperialismo estadunidense na região, o que não significa que, na prática, a cúpula taliban seguisse sendo apoiada e financiada secretamente pela Casa Branca.

Quando, enfim, a criatura que se havia voltado contra o criador fora derrubada do poder para dar lugar aos senhores da guerra da Aliança do Norte, apoiada por Washington, eis que a produção de ópio voltou a subir vertiginosamente, registrando índices ainda maiores que os dos anos de 1980 e 1990. Fato este que persiste até hoje,  cujo combate não está na ordem imperialista do dia.

O Afeganistão se configura em região estratégica para o regime norte-americano também por estar no coração da Ásia. Antes da invasão de George Bush em outubro de 2001, havia projetos (http://worldpress.org/specials/pp/pipelines.htm) da indústria petrolífera norte-americana para que oleodutos e gasodutos, que ligassem países vizinhos à Rússia ao Oriente Médio, passassem pelo subsolo afegão, negados pelo Taliban então no poder.

Quando governador do Texas, George Bush e aquele que viria a ser seu vice-presidente um ano mais tarde, Dick Cheney, receberam uma delegação do Taliban a fim de discutir a passagem de dutos pelo Afeganistão a serem construídos e explorados pela empresa norte-americana Unocal, sem chegar a um acordo. Daquele encontro, o empresário Cheney conseguiu, para sua empresa petrolífera Hulliburton, contrato para exploração de petróleo em solo afegão, e a BBC de Londres foi o único veículo de comunicação em todo o mundo a divulgar o encontro.

Em maio de 2001, poucas semanas após visita de líder taliban à Casa Branca a fim de melhorar a imagem dos donos do poder afegão perante o Departamento de Defesa dos EUA, a CNN noticia que o governo de seu país continua financiando os mujahidin: o secretário de Estado de Bush anunciou, então, milionária « ajuda humanitária » ao governo taliban que, há 5 anos, aterrorizava a sociedade afegã com extremismo religioso. O jornalista Robert Sheer escreveu dura matéria sobre o caso no diário Los Angeles Times, mas o caso perdeu-se no vazio.

Uma vez derrubado do poder afegão pelos ex-aliados norte-americanos, o presidente-fantoche de Tio Sam, Hamid Karzai que viria a ser chamado pelos afegãos em todo o país de « prefeito de Cabul » pela falta de comando nacional, autorizou a construção dos tais dutos anos antes projetados pelos tomadores de decisão de Washington. Entre os maiores beneficiários de tais tratados estavam exatamente Cheney, e o próprio  Karzai, ex-funcionário de outra indústria petrolífera norte-americana, a Unocal.

Outro fator relevante é que, conforme aponta o professor Michel Chossudovski (http://www.globalresearch.ca/the-war-is-worth-waging-afghanistan-s-vast-reserves-of-minerals-and-natural-gas/19769), o Afeganistão faz fronteira com China e Irã. Portanto, a instalação de bases militares ali é fundamental para a perpetuação da hegemonia norte-americana especialmente contra a temida China.

As declarações do ex-funcionário da ONU, evidenciando uma vez mais o mundo ao inverso promovido pelas grandes potências e apresentado passivamente pela mídia de desinformação em massa, vêm de encontro às evidências envolvendo cada um desses países, inclusive a Síria onde o Estado Islamita, sim, tem atacado com bombas químicas fornecidas pelos Estados Unidos e seus aliados na região, especialmente Turquia e Arábia Saudita.

Diante disso tudo, não surpreende que o senador John Mc Cain, exatamente o político norte-americano mais financiado pela indústria armamentista, tenha posado fraternalmente para fotos com terroristas em solo sírio.

Contudo, as denúncias de Coloane, como era de se esperar, estão passando « desapercebidas » pela grande mídia corporativa sustentada exatamente pelas transnacionais, estendendo o debate de surdos sobre causas e « possibilidades » de se vencer o terror global, que tem levado nada a lugar nenhum enquanto o mundo assiste ao crescimento do terrorismo, da retirada de liberdades civis e da aplicação de golpes de Estado por parte dos tomadores de decisão das grandes potências, recheadas da mais profunda hipocrisia – com a velha pitada de petróleo.

O terror global apenas deixará de ser crescente realidade para ser realmente erradicado, e sem grandes esforços, quando o regime unilateral de Washington se tornar uma democracia livre da ditadura bipartidista e do tão legalizado quanto maléfico lobby da indústria armamentista, petrolífera e dos sionistas, seus maiores financiadores, o que é altamente improvável que ocorra no seio da melhor democracia que o dinheiro pode comprar, alimentada por um poderoso setor midiático de propaganda, igualmente canalha.

Ou, mais provavelmente, o terrorismo será vencido quando nações hoje emergentes atinjam nível econômico e político suficientes para equilibrar a correlação de forças em um novo mundo, efetivamente multipolar, desta maneira diminuindo a sanha imperialista ilimitada.

Edu Montesanti



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