Política Energética na Eurásia: os EUA estão sendo cerceados?

Estranha e calmamente os Estados Unidos estão sendo cerceados em sua agora óbvia estratégia de controlar as maiores fontes de petróleo e energia do Golfo Pérsico, Bacia do Cáspio na Ásia Central, África e mais além.

A estratégia norte-americana de controle global da energia, está agora claro para a maioria, foi o motivo real para a altamente dispendiosa mudança de regime no Iraque, apelidada de forma eufemística de ‘democracia’ por Washington. George W. Bush reafirmou seu mantra da democracia recentemente, em 28 de maio, na cerimônia militar de formatura em West Point, onde ele declarou que a segurança dos EUA depende de uma pressão agressiva pela democracia, especialmente no Oriente Médio. ‘Isto é apenas o começo’, disse Bush. ‘A mensagem foi espalhada de Damasco a Teerã de que o futuro pertence à liberdade, e não vamos descansar até que a promessa de liberdade alcance cada pessoa em cada país.’

Se a tendência dos acontecimentos recentes se mantiver, não será a democracia ao estilo Bush que vai se espalhar, mas sim a influência russa e chinesa sobre as maiores fontes energéticas de petróleo e gás.

A questão do controle energético incentivou Washington a apoiar as arriscadas ‘revoluções coloridas’ na Geórgia, Ucrânia, Usbequistão, Bielorrússia e Quirquistão nos últimos meses. Ela está por trás da atividade norte-americana nos países do Golfo da Guiné, na África Ocidental, bem como no Sudão, fonte de 7% das importações chinesas de petróleo. Ela está por trás da política dos EUA vis-à-vis a Venezuela de Hugo Chavez e a Bolívia de Evo Morales.

Nos últimos meses, no entanto, esta estratégia de dominação global da energia, uma prioridade estratégica dos EUA, tem mostrado sinais de que está produzindo exatamente o contrário: uma espécie de ‘coalizão dos insatisfeitos,’ países que cada vez mais não vêem outra alternativa, apesar das tradicionais animosidades, que cooperar para contrapor ao que eles vêem como uma pressão dos EUA para controlar todos eles, sua segurança energética futura.

Algumas pessoas em Washington estão começando a compreender que foram apenas ‘meio-espertos’, como é evidente nos recentes pronunciamentos tanto da China como da Rússia, duas nações cuja cooperação é em alguma forma essencial para o sucesso do projeto global de energia norte-americano.

Ofensas tanto à China como à Rússia

Contrariando o conselho de antigos especialistas em China, inclusive o ex-Secretário de Estado Henry Kissinger, arquiteto da abertura de Nixon à China em 1972, a Casa Branca negou a honra de um jantar de estadista ao visitante presidente chinês Hu Jintao em abril, servindo no lugar um almoço rápido. Hu foi humilhado publicamente por um conhecido ativista da seita Falun Gong na conferência de imprensa da Casa Branca e por outras humilhações óbvias. Em outras palavras, a Casa Branca recepcionou Hu com um diplomático tapa na cara.

Ao mesmo tempo, o vice-presidente Dick Cheney « esbofeteou » o presidente da Rússia, Putin, com o mais aberto ataque à política interna de direitos humanos, bem como à sua política de energia, num discurso no país báltico da Lituânia. Lá, Cheney declarou sobre a Rússia, ‘o governo tem restringido de forma imprópria e ilegal os direitos de seu povo.’ Ele acusou a Rússia de ‘intimidação e chantagem’ energética. Alguns dias depois, a Secretária de Estado Condoleezza Rice reiterou que a Rússia deveria ser ‘pressionada’ pelas reformas democráticas. Rice também agrediu diplomaticamente a China em março durante uma viagem ao sudeste asiático, chamando a China de uma ‘força negativa’ na Ásia.

Estranhamente, Washington tem acusado repedidas vezes a China de ‘não cumprir as regras,’ em termos de sua política de petróleo, declarando que a China é culpada de ‘tentar controlar a energia na fonte,’ como se essa não tivesse sido a política de energia dos EUA por mais de um século.

O significado de atacar simultaneamente tanto a Rússia como a China, os dois gigantes Eurasianos, um deles o maior investidor em títulos do Tesouro dos EUA, o outro a segunda maior potência nuclear mundial, reflete a compreensão em Washington de que as coisas podem não ser tão simples na questão da dominação global como prometido originalmente por vários estrategistas da e em torno da administração Bush.

A Organização para a Cooperação de Xangai ganha novo peso

Em 15 de junho, as nações-membros da Organização para a Cooperação de Xangai (Shanghai Co-operation Organization, SCO), liderados pela China e pela Rússia, informalmente convidarão o observador, Irã, para se tornar membro pleno. Essa reunião será realizada em Xangai. Ainda que a condição de membro pleno seja postergada, como tem sido debatido, o fato é que Rússia e China desejam selar uma maior cooperação com o Irã na cooperação energética na Eurásia.

A Organização para a Cooperação de Xangai foi fundada em junho de 2001 pela China, Rússia, Kasaquistão, Quirquistão, Tajiquistão e Usbequistão. Seus objetivos declarados eram facilitar a ‘cooperação nas esferas de assuntos políticos, economia e comércio, técnico-científicos, culturais, e educacionais, bem como nos campos de energia, transporte, turismo, e proteção ambiental.’ Recentemente, no entanto, a SCO está se tornando algo como um bloco energético-financeiro na Ásia Central, conscientemente sendo desenvolvido para servir como contraponto à hegemonia norte-americana.

Nos últimos meses seus membros deram vários passos potencialmente estratégicos no sentido de se afastar da dependência dos EUA, tanto em energia como em dependência financeira. Uma olhada no mapa indica o potencial de uma SCO expandida.
 

Geopolítica energética da Rússia

Em seu recente discurso sobre o Estado da União, o presidente Putin anunciou que a Rússia está planejando tornar o rublo conversível em outras moedas de importância, como o Euro, e usar o rubro em suas transações de petróleo e gás. O rublo conversível deve ser introduzido, de acordo com as últimas declarações russas, em 1 de julho, seis meses antes do originalmente planejado. A Rússia também expôs seus planos de transferir uma parte de suas consideráveis reservas em dólar para outras moedas, e que usaria US$40 bilhões para comprar reservas em ouro.

A companhia estatal russa de transporte de gás natural, Transneft, consolidou seu controle sobre os gasodutos para tornar-se a única exportadora do gás natural russo. A Rússia tem de longe as maiores reservas mundiais de gás natural, e o Irã as segundas maiores. Com o Irã, a Organização para a Cooperação de Xangai controlaria a vasta maioria das reservas mundiais de gás natural, bem como uma significante parte das reservas de petróleo, para não mencionar o potencial controle do Estreito de Hormuz, o estreito corredor para a maioria dos navios petroleiros do Golfo em direção ao Japão e ao Ocidente.

No final de maio foi relatado que a Rússia e a Argélia, os dois maiores fornecedores para a Europa, chegaram a um acordo para aumentar a cooperação energética. A Argélia deu às companhias russas acesso exclusivo aos campos argelinos de petróleo e gás, e a Gazprom e a Sonatrach irão cooperar na entrega do gás para a França. Putin cancelou o débito de $4,7 bilhões [rublos] que a Argélia tinha com a Rússia, e de sua parte a Argélia comprará o equivalente a $7,5 bilhões de caças russos de última geração, sistemas de defesa aérea e armas.

Em 26 de maio, o Ministro da Defesa russo Sergei Ivanov anunciou também que a Rússia vai suprir definitivamente o Irã com sofisticados mísseis anti-aviação Tor-M1, segundo consta como um prelúdio para o suprimento de armamento mais sofisticado.

Então, num dos exemplos mais fascinantes da absoluta autoconfiança geopolítica da Rússia de Putin na área de energia, o monopólio do gás controlado pelo Kremlin Gazprom entrou em sigilosas negociações com o Primeiro-ministro de Israel Ehud Olmert, através de seu amigo bilionário Benny Steinmetz, para assegurar o suprimento do gás natural russo a Israel através de um gasoduto submarino da Turquia até Israel.

De acordo com o jornal israelense Yediot Ahronot, o gabinete de Olmert disse que vai apoiar a proposta da Gazprom. Em alguns anos Israel enfrentará o racionamento do gás das jazidas do Mar de Tethys e logo do gás do Egito. O gás do Mar de Tethys deve terminar em poucos anos. A British Gas (BG) mantém conversações para enviar o gás de Gaza, mas Israel disputa o direito de exploração da BG. Mas mesmo com o gás do Egito e Gaza os racionamentos de gás são esperados por volta de 2010, a menos que Israel consiga encontrar novas fontes. Entram a Gazprom e Putin. O gás seria desviado do gasoduto Rússia-Turquia Bluestream, subutilizado, que a Rússia construiu para aumentar sua influência sobre a Turquia dois anos atrás. Putin claramente quer levar vantagem em Israel sobre a influência unilateral dos EUA na política de Israel.

Geopolítica energética da China também em alta rotação

De sua parte Beijing também se move para ‘garantir a energia nas fontes.’ A economia chinesa, que cresce a 9% ao ano, requer imensos recursos naturais para sustentar seu crescimento. A China se tornou um grande importador de petróleo em 1993. Em 2045, cerca de 45% das necessidades energéticas da China dependerão de petróleo importado.

Em 26 de maio, o petróleo cru do Kazaquistão começou a fluir para a China num recém concluído oleoduto de Atasu no Kazaquistão para a passagem de Alataw, na província de Xinjiang no extremo oeste da China, uma rota de 1.000 quilômetros anunciada apenas no ano passado. Ele é a marca da primeira vez que o petróleo é bombeado diretamente para a China. O Kazaquistão é também um membro da SCO, mas desde o colapso da União Soviética havia sido parte da esfera de influência dos EUA, com a ChevronTexaco, a companhia petrolífera de Condi Rice, a maior exploradora de petróleo.

Por volta de 2011, o oleoduto terá uma extensão de mais 3.000 quilômetros até Dushanzi onde os chineses estão construindo sua maior refinaria de petróleo, que deve ficar pronta por volta de 2008. A China financiou todos os US$700 milhões do oleoduto e vai comprar o petróleo. Em 2005 a companhia petrolífera estatal chinesa CNPC comprou a PetroKazkhstan por US$4.2 bilhões e vai usá-la para explorar os campos de petróleo no Kazaquistão.

A China está também em negociações com a Rússia para um oleoduto que vai levar o petróleo siberiano até o nordeste da China, um projeto que deve estar completo em 2008, e um gasoduto para gás natural da Rússia até Heilongjiang, no nordeste chinês. A China acaba de ultrapassar o Japão como o segundo maior importador mundial de petróleo depois dos EUA.

Beijing e Moscou estão ainda integrando suas economias de eletricidade. No final de maio a companhia China State Grid Corp anunciou seus planos de aumentar em cinco vezes as importações de eletricidade da Rússia até 2010.

Nos países africanos produtores de petróelo: China por todos os lados

Em sua incansável luta para assegurar futuros suprimentos de petróleo ‘na fonte’, a China também entrou em tradicionais domínios petrolíferos dos EUA, Inglaterra e França na África. Além de ser o maior explorador do oleoduto do Sudão, que envia 7% das importações totais de petróleo da China, Beijing tem sido muito ativa na África Ocidental, nos países à margem do Golfo da Guiné, rico em petróleo, fonte de vastos campos do valorizado petróleo com baixo teor de enxofre.

Desde a criação do Fórum China-África em 2000, a China tem derrubado as tarifas de 190 produtos importados de 28 dos países africanos menos desenvolvidos, e cancelou US$1,2 bilhão em débitos.

Um indicativo da maneira como a China está acabando com o costumeiro controle dos países africanos pelo FMI/ economias ocidentais, o banco de importação e exportação da China concedeu recentemente um auxílio de $2 bilhões para Angola. Em troca, o governo de Luanda concedeu à China parceria na exploração de petróleo em águas não-profundas na costa. O auxílio deve ser usado para projetos de infra-estrutura. Em contraste, o interesse norte-americano nas guerras separatistas em Angola raramente foi além do bem-guardado enclave petrolífero de Cabinda, onde a ExxonMobil juntamente com a Shell Petróleo dominaram até recentemente. Aparentemente, isso deve mudar com o crescente interesse chinês.

Os projetos de infra-estrutura chineses em desenvolvimento em Angola incluem ferrovias, estradas, uma rede de fibra óptica, escolas, hospitais, escritórios e 5.000 unidades de moradia. Um novo aeroporto com vôos diretos de Luanda para Beijing também está planejado.

Indiretamente, através de seu apoio ao governo sudanês, a China é também parte interessada no jogo de alto risco da potencial mudança de regime no vizinho Chade, rico em petróleo. No início deste ano, o ‘garoto truculento’ do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, foi forçado a recuar nos planos de cortar a ajuda do Banco Mundial, depois da ameaça de uma paralisação nas exportações de petróleo pelo minúsculo Chade. ExxonMobil é atualmente a maior companhia em atividade no Chade. Mas o Sudão apóia os rebeldes no Chade, que só foram impedidos de derrubar o notoriamente corrupto e impopular regime do presidente Idriss Deby pelos 1.500 soldados franceses que sustentaram o regime Deby. Washington se juntou a Paris no apoio a Deby.

O Sudão envolveu a China, mais do que as corporações ocidentais, na exploração de seus campos petrolíferos, em grande parte como um resultado das mal-planejadas sanções impostas pelos EUA em 1997, que impediram as companhias petrolíferas norte-americanas de fazer negócios no Sudão. Um novo regime no Chade, apoiado pelo Sudão, colocaria em risco o oleoduto Chade-Camarões e as companhias petrolíferas ocidentais.

É possível imaginar que a China deve estar apenas esperando para entrar numa brecha e ajudar o Chade a explorar seu petróleo, especialmente se ele for para a China.

E imediatamente depois de sua desagradável visita a Washington em abril, onde o presidente chinês foi recebido por uma diplomacia da Casa Branca de deliberados insultos, reminiscências de um trote da fraternidade da Universidade do Texas, Hu Jintao foi para a Nigéria, há tempos tida por Washington como sua ‘esfera de interesses petrolíferos.’

Na Nigéria, o maior produtor de petróleo na África, Hu assinou um acordo com o governo nigeriano onde a Nigéria concederá à China quatro licenças de perfuração em troca de uma promessa de investimentos de $4 bilhões em infra-estrutura. A China vai comprar uma participação no controle na refinaria de Kaduna, que produz 110.000 barris/dia, vai construir ferrovias e estações de força, e, além disso, vai assumir uma participação de 45% no desenvolvimento do campo de petróleo e gás offshore nigeriano OML-130. Segundo o diretor da companhia petrolífera chinesa CNOOF, o OML-130 é ‘um campo de petróleo e gás de imenso interesse… localizado em uma das maiores bacias de petróleo e gás do mundo.’

Quase toda a produção atual de petróleo da Nigéria é controlada por multinacionais ocidentais. Mas a situação também deverá mudar em breve em favor da China.

Auxílios para infra-estrutura similares ou ofertas de investimento em energia estão sendo feitos pela China ao Gabão, Costa do Marfim, Libéria e Guiné Equatorial.

A estranha acusação contra a China de ‘não respeitar as regras’ e ‘tentar garantir energia na fonte,’ começa a tomar dimensão real quando estes movimentos, junto com os movimentos feitos pela Rússia na área de energia, são tomados na sua totalidade.

 

 A conclusão de Washington? Oops…

É pouco surpreendente que alguns falcões de Washington estejam ficando alarmados. De repente, o mundo de ‘inimigos potenciais’ não está mais restrito à Guerra contra o Terror, centrada no islamismo. Liderança ideológica neo-conservadora, Robert Kagan escreveu recentemente um importante editorial no Washington Post. Presumivelmente, Kagan priva das discussões nas altas esferas em Washington. Sua esposa, Victoria Nuland, trabalhou como conselheira de assuntos de segurança nacional com o vice-presidente Cheney até ser nomeada embaixadora dos EUA na OTAN.

Kagan declarou, em referência à Rússia e à China: ‘Até agora a estratégia do Ocidente liberal tem sido tentar integrar essas suas potências na ordem liberal internacional, amansá-las e torná-las seguras para o liberalismo.’ Kagan foi co-fundador do Projeto para um novo século americano (PNAC), no final dos anos 1990, para entre outras coisas advogar uma maior presença militar norte-americana e a mudança forçada de regime no Iraque, esta última um ano antes do ataque de 11 de setembro de 2001.

Kagan continua: ‘Se, pelo contrário, China e Rússia continuarem sendo os sólidos pilares da autocracia pelas próximas décadas, persistindo e talvez até prosperando, então não se pode esperar que eles abracem a visão ocidental da inexorável evolução da humanidade rumo à democracia e ao fim da ordem autocrática.’

Kagan fez acusações de que a China e a Rússia emergiram como os protetores de ‘uma liga informal de ditadores’- que, de acordo com ele, atualmente inclui os líderes de Bielorrússia, Usbequistão, Burma, Zimbábue, Sudão, Venezuela, Irã e Angola, entre outros – ao redor do mundo, que, como os líderes da Rússia e da China eles mesmos, resistem a quaisquer tentativas do Ocidente de interferir em seus assuntos internos, seja através de sanções ou outros meios.

‘A questão é o que os Estados Unidos e a Europa decidirão fazer em resposta,’ escreveu Kagan. ‘Infelizmente, a al-Qaeda pode não ser o único desafio que o liberalismo enfrenta hoje em dia, ou mesmo o maior.’ A questão, como astutamente coloca Kagan, é o que os Estados Unidos ou a Europa podem fazer em resposta. O gênio da estratégia dos falcões de Washington mostra suas velhas artimanhas.

A principal organização de política externa nos EUA, o Conselho de Relações Estrangeiras de Nova Iorque (CFR) também ponderou sobre a questão recentemente, especialmente sobre os movimentos da China na área de energia. Num relatório recente, o CRF acusa a administração Bush de não ter nenhuma estratégia completa e de longo prazo para a África. Eles criticam o foco dos EUA em assuntos humanitários como em Darfur, ao sul do Sudão, exigindo ao contrário que os EUA ‘atuem nos seus crescentes interesses nacionais no continente.’ Quais interesses? O CFR lista petróleo e gás como número um; crescente competição com a China (fortemente relacionada com a primeira) como número dois. Oops…

Traduzido para o CeCAC por M.H…

 

Original: USA out-flanked in Eurasia Energy Politics, 3 de junho de 2007.

Reproduzido por Northstar Compass em sua revista nº 15 de setembro de 2006.

 

Este artigo encontra-se em www.cecac.org.br

F. William Engdahl é editor colaborador de Global Research e autor do livro, ‘A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order,’ Pluto Press Ltd. (Um século de guerra: Política de petróleo anglo-americana e a nova ordem mundial). Ele pode ser contatado através de seu site, www.engdahl.oilgeopolitics.net .



Articles Par : F. William Engdahl

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