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Trump, Coveiro de Curto Prazo do Império
Par Edu Montesanti
Mondialisation.ca, 23 avril 2017

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O narcisista e fanfarrão Trump deve proporcionar, a curto prazo, o tão esperado espetáculo da queda-livre do corrupto Império, o mais belicista da história. Presidente abertamente fascista é subproduto da democracia fajuta, a melhor que o dinheiro pode comprar nos Estados Policialescos da América que ainda encantam algumas vítimas da grande mídia de idiotização em massa.

A queda definitiva do agonizante Império de turno é apenas uma questão de tempo. Uma leitura do livro Ascensão e Queda das Grandes Potências, do historiador britânico Paul Kennedy, deixa esta ideia bem clara ao leitor, sem nenhuma dúvida. E segundo as impressões deste articulista: o tombo será mais feio que o dos outros impérios ao longo da história. A grosso e resumido modo: quanto maior o tamanho do coqueiro, maior o tombo do coco.

Para Kennedy, um império acaba se vendo forçado a aumentar gastos militares para manter seu poderio, sacrificando assim a economia do país. E para manter esse poder, inevitavelmente deve se expandir, o que implica mais aumentos em gastos militares em detrimento de gastos em outras áreas, e assim sucessivamente para manter a expansão e o domínio até sua economia se esgotar e, fatalmente, declinar diante de outras potências emergentes.

Pois o narcisista e fanfarrão Donald Trump, talvez como nenhum outro poderia fazer em seu lugar, deve proporcionar o tão esperado espetáculo da queda-livre do establishment corrupto, mais belicista e letal Império da história.

Para além do tamanho e da imagem equivocada que a América « livre » e « poderosa » faz de si, à diferença por exemplo do final da II Guerra Mundial quando o Império britânico ruiu de vez, e o norte-americano emergiu como tal, o mundo estava destroçado pelo maior conflito da história: moral, política e economicamente.

Hoje o mundo está cada vez mais multipolar com nações que, além de fortalecer e ultrapassar o combalido Tio Sam em diversos quesitos importantes – inclusive militarmente -, muitos desses países enxergados pelo esquizofrênico Império norte-americano como inimigos, ameaças, concorrentes, estão também se unindo – desejando abertamente aliança com Washington, que se recusa a isso em nome do retorno a um mundo unipolar, e com o desejo, isto sim, de muita guerra.

Em relação às últimas eleições presidenciais dos Estados Policialescos Unidos da América, qualquer candidato seria um personagem a ser contado dentro de uns anos como um dos (i)responsáveis pelo declínio definitivo do Império que, na realidade, vive (há muito) profunda crise política, alimentar, laboral, econômica mais ampla, no campo das liberdades civis e direitos humanos em geral.

Pouco se noticiou, mas os EPUA foram condenados pela ONU no ano passado pelo tráfico de crianças, sob conivência estatal [leia: Tráfico de crianças nos Estados Unidos sob conivência estatal (http://port.pravda.ru/busines/03-02-2016/40316-trafico_criancas-0/)], e por manter campos de concentração também para pequeninos imigrantes, o lixo descartável no paraíso do capital que, nos EPUA têm estado privados até de advogados devendo responder perante a « Justiça » norte-americana sozinhos, enquanto aguardam a deportação da sociedade aberta e livre pintada pelos grandes meios de imbecilização das massas [leia: EUA nega advogado a milhares de crianças deportadas de campos de concentração (http://port.pravda.ru/mundo/10-04-2016/40754-eua_nega-0/)].

Muito pouco se diz, mas Barack Obama foi o presidente que mais deportou imigrantes na história dos EPUA. Sua afilhada nas últimas eleições, a psicopata Hillary Clinton, até pela psicopatia por que sofre além da própria linha política era fria e calculista: como o inquilino anterior da Casa Branca, o Nobel da Paz que palrava com a habilidade de poucos em direitos humanos, Killary falava em direitos femininos mas carregava dentro de si ódio racial e religioso, porém bem mais velado que Trump. George W. Bush (filho) foi quem iniciou uma grande cerca na fronteira com o México: a mesma mídia comercial que demoniza Trump hoje, não lembra disso.

O potencial para o mal desta personalidade e práticas maleficamente veladas é evidentemente muito maior, enquanto Trump é a mesma face da mesma moeda imperialista, preconceituosa, fascista, porém fanfarrão e, talvez, vítima do próprio narcisismo do qual padece.

Killary tinha total apoio do terrorista establishment travestido de democracia, do lobby sionista, do monopólio da desinformação, da indústria armamentista e petrolífera. Mas, enfim, Trump é uma tragicômica consequência da « democracia » norte-americana, subproduto do próprio establishment dos Estados Policialescos Unidos, e de seu showrnalismo(título do livro do brilhante jornalista José Arbex Júnior). Os mesmos que hoje protestam contra aquele que venceu nas urnas através do sistema norte-americano de eleições indiretas em que os Colégios Eleitorais de cada estado decidem – parece que apenas agora uns estão de dando conta de que o rei anda nu há muito tempo, mas não quiseram enxergar

Com Killary, a queda do Império – pela frieza e calculismo da senhora da guerra, por sua habilidade ímpar de manipular e de jogar – a grande e espetacular queda do Império estaria fadada, muito provavelmente, a médio prazo (talvez para além de seus quatro anos, ou se reeleita para o final de seus oito anos na Casa Branca, ou ainda um pouco mais além).

Por outro lado, e desde a campanha presidencial isso parece muito claro, com Trump que diz e faz, abertamente, o que seus antecessores fizeram de maneira mais silenciosa, dissimulada, o declínio definitivo da hegemonia dos EPUA com sua ditadura de mercado através do neoliberalismo e do dólar, além de poderio militar mais letal da historia da humanidade (único a lançar bombas atômicas em todos os tempos), está bastante apressado.

Reconheça-se: Trump faz afirmações e toma atitudes exageradamente abertas e politicamente incorretas, embora não sejam nenhuma novidade nos porões do poder e entre a própria sociedade norte-americana que, de aberta, não tem absolutamente nada (outro mito facilmente dissolúvel).

Contextualizando a frase do historiador britânico de excelente memória, Eric Hobsbawm em Era dos Extremos, « se para o poeta o Thomas Stearns Eliot ‘é assim que o mundo acaba: não com uma explosão, mas com uma lamúria' », os Estados Policialescos Unidos da América, certamente, encontrará um fim com os dois.

Sobretudo dentro de casa, o coveiro Trump trata de produzir importantes aprofundamentos no buraco norte-americano desde o início de seu « governo democrático », diante do silêncio conivente e até sob alegres aplausos de parte de uma opinião pública desonesta e excessivamente hipócrita, que se crê a polícia do mundo.

Vão todos ser enterrados na vergonha da história, e é altamente aconselhável que os nada criativos setores reacionários oxigenem-se, apressem-se na elaboração das desculpas, e encontrem também os culpados no que são precários mestres em fazer: a « ditadura » do Maduro, cujo governo rompeu com a ditadura do FMI e com o Consenso de Washington, erradicou o analfabetismo, a pobreza extrema, a fome e a desnutrição infantil além de liderar a integração da América Latina, antigo « quintal » dos EPUA, como nunca antes aconteceu na história? O « napoleônico » Putin, cujo grande crime é defender a soberania e os interesses do povo russo, quem alavancou a economia nacional levando a Rússia a figurar novamente entra as grandes potências mundiais? O « enlouquecido » Jinping, cuja economia nacional logo superará à dos EPUA, e seu exército é o maior do mundo?

Edu Montesanti

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