Treino militar infantil no “Campo de Verão Neo-Nazi” da Ucrânia. Será o recrutamento das “crianças soldado” ucranianas financiado pelo apoio militar “não letal” dos EUA?

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Embora a esmagadora maioria dos americanos não estejam cientes disso, o governo dos EUA está a canalizar apoio financeiro, armas e treino para uma entidade neo-nazi – inserida na Guarda Nacional da Ucrânia – o Batalhão Azov (Батальйон Азов). O Canadá e a Grã-Bretanha já confirmaram que estão também a apoiar a Guarda Nacional.

O Batalhão Azov – que exibe “oficialmente” um emblema das SS nazis (em baixo, à esquerda) – é apresentado pelo regime de Kiev como sendo “um batalhão de defesa territorial constituído por voluntários”. Trata-se de um batalhão da Guarda Nacional sob a jurisdição do Ministério da Administração Interna, o equivalente à Segurança Interna na América.

Sedeado oficialmente em Berdyank, banhada pelo Mar de Azov, o Batalhão Azov foi constituído pelo regime para combater a insurgência da oposição na região de Donbass (no Leste e no Sul da Ucrânia).

Emblemas Nazis Ucranianos

Treinar crianças para combater os russos

O Batalhão Azov, apoiado por parcerias ocidentais, não se encontra envolvido só em operações paramilitares no Leste da Ucrânia. De acordo com vários relatos, inclusive do Kyiv Post (comunicação social de massas na Ucrânia), gere também um Campo de Verão com treino militar para crianças, parte integrante do seu programa mais amplo de treino e doutrinação.

De acordo com a RT:

“O campo foi criado para mostrar às crianças que existem mais coisas na vida para além da escola e dos telemóveis e ‘para lhes mostrarmos o nosso amor’, revelou Oleksii ao canal ucraniano ICTV, comandante de pelotão do Batalhão Azov e instrutor do campo. “É preciso ser forte; é preciso ser corajoso para defender a integridade territorial da nossa pátria”, acrescentou. (Relato da RT)

As fontes da comunicação social ocidental (citadas pelo Kyiv Post) confirmam que participam no Campo de Verão Azov, localizado no distrito de Vodytsya nos arredores de Kiev, crianças a partir dos seis anos (confirme-se nas imagens abaixo).

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O texto da faixa indica: Iдея B Нації, сила В тобі. Traduzido livremente: A Ideia da Nação, O Poder Dentro de Ti.

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As imagens anteriores confirmam que muitas das crianças não são ainda adolescentes.

Kyiv Post – que aponta o dedo à comunicação social ocidental pela sua cobertura tendenciosa – mesmo assim reconhece a natureza diabólica deste projecto de treinamento militar:

“(…) este campo em particular é gerido pelo Batalhão Azov e foi fundado pelo legislador Andriy Biletsky, o seu anterior comandante. Localizado na área do bosque do distrito Pushcha Vodytsya de Kiev, neste campo os miúdos não estão a brincar aos soldados – estão a receber treinamento militar a sério por parte de soldados que têm combatido na linha da frente na guerra que a Rússia leva a cabo contra a Ucrânia.

Apodado de Azovets, o campo tem sido alvo de cobertura noticiosa negativa por parte da comunicação social russa, de portais pró-russos e até do tabloide britânico The Daily Mail.

‘Campo de Verão neo-nazi: membros do Batalhão Azov ensinam crianças ucranianas a disparar AKs (FOTOS)’, prega a manchete da RT controlada pelo Kremlin na sua reportagem acerca do campo.

‘Fotografias chocantes do interior do campo militar neo-nazi revelam que recrutas com idades tão tenras como SEIS anos estão a aprender a disparar armas-de-fogo (apesar de estar em vigor um cessar-de-fogo)’, afirmava a manchete do artigo sensacionalista e inexacto do Daily Mail” (Kyiv Post, 29 de Agosto de 2015).

Embora o regime de Kiev negue que o Azov é uma organização neo-nazi, os logótipos tanto do Batalhão Azov como do Campo de Verão Azovets (que figura nas t-shirts do Campo de Verão) envergam o símbolo rúnico Wolfsangel das SS nazis com a imagem desbotada do “Sol Negro nazi” ao fundo.

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O logótipo do Wolfsangel das t-shirts com o símbolo de uma das divisões das SS

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© vk.com/tabir.azovec

Recrutamento das crianças soldado

O programa de treino do Campo de Verão constitui a primeira fase do recrutamento de crianças soldado em violação da lei internacional.

De modo invariável, o recrutamento de crianças soldado implica um programa de treino que familiarize os infantes com a utilização de armas automáticas ligeiras.

Os instrutores militares fazem parte dos paramilitares do Batalhão Azov destacados para o Campo (note-se a insígnia das SS nazis no uniforme abaixo):

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O artigo do Kyiv Post descreve detalhadamente a natureza do “Campo de Verão neo-nazi”. Os relatos confirmam que uma entidade sob a jurisdição da Guarda Nacional ucraniana (financiada pelo Ministério da Administração Interna da Ucrânia) está a treinar e a doutrinar crianças pequenas na arte da guerra:

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“O campo de Verão Azovets aceita filhos dos membros do Batalhão Azov, bem como crianças do distrito de Obolon nos arredores de Kiev e mais além. Abriu a 22 de Junho, leva a cabo programas semanais de actividades para grupos de 30 até 40 crianças. Oficialmente, é para crianças entre os nove e os 18, mas estão lá crianças a partir dos sete anos. Algumas delas têm lá estado durante semanas consecutivas.

O que torna o campo tão polémico é este ser gerido por combatentes do Azov, alguns dos quais têm sido apodados de apoiantes da extrema-direita e neo-nazis. Os críticos afirmam que o símbolo do batalhão é um Wolfsangel invertido que tem uma associação, oblíqua mas desconfortável, com o nazismo.

Em entrevistas levadas a cabo com a comunicação social ucraniana, Biletsky afirma que o simbolismo tem sido mal interpretado. A Letra “N” e a letra “I” compõem a insígnia do Azov, sigla que afirma significar “Ideia Nacional”.

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Biletsky fundou na Ucrânia um grupo neo-nazi que dava pelo nome de Assembleia Social-Nacional e é certo que existem neo-nazis entre os integrantes do batalhão, alguns deles com tatuagens nazis. Alguma comunicação social tem relatado que cerca de 20% dos combatentes do Azov são neo-nazis, embora os oficiais de imprensa do batalhão penem sempre por enfatizar que o Azov, sendo uma formação militar, não compartilha da ideologia do seu fundador Biletsky, ou qualquer outra ideologia que não seja um patriotismo ardente.

Quando o Kyiv Post visitou o campo Azovets a 19 de Agosto, as crianças estavam atarefadas com uma série de actividades, incluindo desmontar e montar espingardas de assalto AK-47, tiro ao alvo (com armas de pressão de ar), cursos de combate de assalto e praticar poses de combate e de patrulha. Participam também em vários desportos e jogos, do rapel à escalada, e praticam actividades mais tradicionais do escutismo e do artesanato tais como atar nós.

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‘Só estou aqui há três dias, mas já compreendi que não é um campo onde venhamos jogar jogos. Estamos a receber treino militar’, revelou ao Kyiv Post um dos miúdos do campo.

Na floresta nas proximidades do campo, um grupo de miúdos recebia algumas indicações de segurança dum instrutor do Azov.

‘Sabem o que ia acontecer caso mantivessem os dedos no gatilho? Se isto fosse uma arma verdadeira podiam matar os vossos camaradas. Portanto, não o façam!’ vocifera o instrutor.

‘Sim senhor!’, respondem os miúdos.

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Depois, as crianças praticam uma evacuação médica de soldados feridos no campo de batalha.

A atmosfera militarista do campo, incluindo a disciplina rígida, impressionou claramente algumas das crianças.

‘Cortei o cabelo bem curto ontem’, diz-nos um rapaz. ‘Só porque quis. Agora estou mais parecido com um soldado’.

Dois rapazes mais velhos que, como muitas das crianças presentes no campo, assumiram nomes de guerra (Socorrista e Médico) em imitação dos soldados ucranianos verdadeiros, afirmam querer agora juntar-se ao Batalhão Azov.

‘Quero defender a minha pátria. Há camaradas que apoiam a minha ideia. Julgo que se for preciso, vou combater’, diz ao Kyiv Post o Médico de 17 anos.

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As crianças do campo estão organizadas em quatro grupos, dependendo da sua idade, cada grupo é vistoriado por um instrutor e um auxiliar. Os dias no campo começam às 07:00 e acabam às 23:00 em ponto. As crianças dormem em tendas.

O acesso ao portal do Azov e aos portais que o apoiam foi vedado ao público em Setembro do ano passado quando o batalhão foi integrado na Guarda Nacional da Ucrânia, mas o campo tem uma página na rede social russa Vkontakte (https://vk.com/tabir.azovec) onde é promovido e onde as pessoas podem voluntariar-se ou contactar o campo para enviarem para lá os seus filhos.

‘A missão do Campo: Formar o ucraniano de uma nova era – um patriota que esteja pronto a participar activamente na construção e na defesa da Ucrânia’, pode ler-se na descrição da página. (…)

As canções militares patrióticas que as crianças cantam todos os dias como parte do programa do campo parecem ser das actividades mais populares. Avançada a noite, sentados em redor de uma fogueira, cantam as suas favoritas – canções patrióticas que datam das lutas prévias pela independência da Ucrânia dos primórdios até meados do século XX.

Kyiv Post ouviu as letras de uma das canções. Fala acerca dos soldados ucranianos derrotarem os seus inimigos.

Hoje esse inimigo é a Rússia. Um rapaz sentado num tronco sussurra: ‘quero que esta guerra acabe e que matemos os russos todos’. (Kyiv Post, 29 de Agosto, 2015)

(Para ler o relato completo pela jornalista do Kyiv Post, Faina Nakonechnaya, carregue aqui)

Apoio militar dos EUA

Esta empreitada diabólica, que incita crianças inocentes ao ódio contra russos étnicos bem como à oposição do regime de Kiev é amplamente apoiada pelo apoio militar dos EUA que é enviado à Guarda Nacional ucraniana por via do Ministério da Administração Interna. O MAI coordena as “operações anti-terrorismo” (OAT) em Donbass.

Embora o Congresso dos EUA tenha adoptado emendas na sua “Lei de 2015 de Apropriações do Departamento de Defesa” para evitar o treinamento dos neo-nazis do Batalhão Azov, na verdade o dinheiro ainda lhes chega.

Mais, para lá do apoio militar canalizado sob a jurisdição do Pentágono, a Guarda Nacional da Califórnia estabeleceu uma parceria com a Guarda Nacional da Ucrânia, o que inclui o Batalhão Azov:

“A missão do Programa de Parceria Estatal Califórnia-Ucrânia (PPE) [sob os auspícios da Guarna Nacional da Califórnia] tem por objectivo promover a democracia, as economias de livre mercado e a reforma militar, estabelecendo laços institucionais a longo prazo (…) a parceria Califórnia-Ucrânia apoia directamente os objectivos do embaixador dos EUA na Ucrânia e do Comandante do Comando Europeu dos EUA (…) (Gabinete de Cooperação da Defesa (GCD), Chefe: LTC Tracy D. Rueschhoff)”

Abaixo encontra mais algumas imagens selectas dos “defensores da liberdade” do Batalhão Azov.

São estas as pessoas que estão a treinar as crianças ucranianas para manusear Ak-47s no Campo de Verão neo-nazi. Tudo por uma boa causa: “o florescimento da democracia” nas palavras do New York Times.

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 Michel Chossudovsky
Artigo original em inglês :
Ukraine-Neo-Natzi-Militia
Tradução por Geopol.com  
http://www.geopol.com.pt/?p=1144


Articles Par : Prof Michel Chossudovsky

A propos :

Michel Chossudovsky is an award-winning author, Professor of Economics (emeritus) at the University of Ottawa, Founder and Director of the Centre for Research on Globalization (CRG), Montreal, Editor of Global Research.  He has taught as visiting professor in Western Europe, Southeast Asia, the Pacific and Latin America. He has served as economic adviser to governments of developing countries and has acted as a consultant for several international organizations. He is the author of eleven books including The Globalization of Poverty and The New World Order (2003), America’s “War on Terrorism” (2005), The Global Economic Crisis, The Great Depression of the Twenty-first Century (2009) (Editor), Towards a World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War (2011), The Globalization of War, America's Long War against Humanity (2015). He is a contributor to the Encyclopaedia Britannica.  His writings have been published in more than twenty languages. In 2014, he was awarded the Gold Medal for Merit of the Republic of Serbia for his writings on NATO's war of aggression against Yugoslavia. He can be reached at [email protected]

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