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Trump Revoga Parte da Normalização das Relações com Cuba Estabelecida por Obama
Par Edu Montesanti
Mondialisation.ca, 23 juin 2017

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O presidente norte-americano Donald Trump traçou novas (velhas) medidas políticas em relação a Cuba nesta sexta-feira (16), ao mesmo tempo que qualificou a normalização das relações com a ilha caribenha empreendida por seu antecessor na Casa Branca, Barack Obama, de « terríveis e equivocadas ».

« De maneira eficaz e imediata, cancelo o acordo totalmente unilateral da administração anterior com Cuba », disse Trump em um discurso ao pior estilo Guerra Fria, para uma plateia entusiasmada em Miami repleta de membros da comunidade cubano-norte-americana, que se opuseram à política de Obama em relação ao governo cubano de Raúl Castro.

Em uma diretiva presidencial assinada no final do discurso, Trump ordenou aos departamentos de Tesouro e Comércio que elaborem novas regras para substituir os pontos das mudanças de política de Obama.

Com mais esta política regressiva de Trump, os estadunidenses não têm mais a liberdade proporcionada pela administração de Obama para realizar viagens particulares à ilha caribenha, e até estudantes deverão comprovar que não são turistas. As empresas dos Estados Unidos não poderão mais realizar negócios com empresas controladas por militares ou serviços de inteligência cubanos, o que dificulta o acesso de empresas norte-americanas a setores estratégicos da economia de Cuba, incluindo o turismo.

Tudo isso, segundo Trump, para preservar o povo cubano e defender a liberdade e a democracia na ilha caribenha: para a Casa Branca, tais medidas devem forçar o governo de Cuba a ceder às pressões de Washington para que estabeleça o livre-mercado no país, além do que os Estados Unidos acusam de políticas repressivas em território cubano. « Não nos manteremos em silêncio diante da opressão comunista », afirmou o mandatário norte-americano.

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos, por sua vez, disse que as modificações do presidente estadunidense « limitarão a possibilidade de mudanças positivas na ilha ». Funcionários da Casa Branca afirmam que as medidas presidenciais em relação à Cuba tardarão alguns meses para serem implantadas.

« Aqueles dias acabaram: agora, nós damos as cartas », afirmou o presidente dos Estados Unidos, mantendo a típica postura arrogante e imperialista de seu governo, e da própria política externa histórica de seu país. E não apenas isso: segue a política de contradições de sua administração e dos governos norte-americanos anteriores, sem exceção: em seu giro no mês passado pelo Oriente Médio, Trump reforçou relações comerciais com a Arábia Saudita, um dos países mais crueis do planeta.

« Não devemos buscar perfeição, mas parcerias », afirmou desavergonhadamente Donald Trump na capital saudita de Riad, na mais absoluta contraposição à caça comunista contra Cuba ao estilo McCarthy, sem o menor constrangimento diante de excessiva hipocrisia enquanto, entre outras parcerias com a Casa de Saud, estabelecia comércio de armas na casa dos 100 bilhões de dólares, provavelmente o maior acordo bélico da história com um governo saudita que, além de exageradamente repressivo, comprovadamente fornece armas ao Estado Islamita e à Al-Qaeda, não apenas à sua filial na Síria, a Al-Nusra, como historicamente à organização terrorista do falecido Osama bin Laden desde tempos de combates no Afeganistão.

E no final de sua visita à região mais efervescente do planeta, em Israel e na Palestina Trump tampouco ofereceu propostas para acordos de paz,a pós tanto discurso que, sempre ficou claro, eram inócuos.

Isso tudo, além do fato que as históricas « políticas » exteriores norte-americanas semelhantes a esta de Trump em Cuba não apenas não têm surtido o efeito que Washington diz pretender gerar, como faz com que aumente ainda mais a rejeição internacional aos Estados Unidos, ou seja, gera efeito reverso seja no combate ao que a Casa Branca qualifica de regimes repressivos, Guerra ao Terror, às Drogas etc, sempre encontrando e arrefecendo inimigos em toda a parte, o que acaba justificando a disseminação de bases militares de Tio Sam em todo o planeta.

A dupla-moral norte-americana é tão descarada quanto infinita, essência de sua « democracia profundamente fracassada », nas palavras de John Kiriakou, ex-agente da CIA detido por dois anos por ter deixado a agência, e denunciado as torturas secretas na prisão de Guantánamo. « Os Estados Unidos mudam de presidente, mas não mudam sua política », disse o presidente russo Vladimir Putin mais recentemente, falsamente demonizado pela mídia ocidental.

Edu Montesanti

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