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Washington apoia e financia o EIIL. Moscovo apoia a Síria contra o EIIL
Par Prof Michel Chossudovsky
Mondialisation.ca, 15 septembre 2015
presstv.ir
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A PressTV questionou Michel Chossudovsky, do Centro de Estudos sobre a Globalização, para falar acerca da decisão da Rússia em abastecer Damasco com provisões militares e apoio humanitário.

Abaixo encontra-se a transcrição dessa entrevista.

A versão vídeo encontra-se aqui

PressTV – A Rússia fez um apelo ao mundo para que se unisse e auxiliasse o governo sírio no combate contra os terroristas do EIIL, apelo este que parece ter caído em orelhas moucas pelo menos em Washington. Em vez disso, temos o presidente dos EUA a afirmar que a estratégia de Moscovo na Síria está destinada a falhar. Colocam-se aqui duas questões: primeiro, a que estratégia russa tanto se opõe o Ocidente? E segundo: porque se preocupa tanto o Ocidente com aquilo que apoda ser uma escalada da presença russa na Síria?

Chossudovsky: Antes de mais há que distinguir:

– Por um lado entre os actos de agressão por parte dos EUA contra um Estado soberano ao abrigo de um “mandato humanitário” ou “de ir atrás” do EIIL, quando na realidade sabemos – e encontra-se amplamente documentado – que o EIIL é apoiado e financiado pelos Estados Unidos e pelos seus aliados;

– Por outro lado, aquilo que podemos descrever como sendo uma cooperação militar bilateral entre dois Estados soberanos, nomeadamente a Síria e a Federação da Rússia. Isso é algo que já vem a decorrer há muitos anos entre os dois países.

A Rússia tem uma base naval no Mediterrâneo e providenciou à Síria o seu sistema de defesa aérea, o S-300, e tem colaborado noutras áreas focando principalmente treinamento, sistemas de armas e por aí fora. Não creio que isso implique seja de que modo for o destacamento de tropas no terreno. Isso não irá acontecer. E não constitui qualquer novidade; tal faz parte da longa relação já existente entre estes dois governos.

No que diz respeito a Obama, trata-se de uma afirmação um tanto ou quando diabólica. Desde Setembro do ano passado – e celebramos agora o primeiro aniversário dos “bombardeamentos humanitários dos EUA contra o Iraque e a Síria” – que houve 53.000 incursões aéreas (de acordo com os dados oficiais) das quais só 6.700 foram “incursões de ataque”.

Eu suspeitaria que a maior parte dessas 53.000 incursões na realidade tiveram o objectivo de entregar armas e mantimentos ao EIIL (EIIS), a infantaria da aliança militar ocidental que combate as forças do governo sírio.

PressTV – Quão suspeito lhe parece o aumento do número de países que, subitamente, se demonstram ansiosos para se unirem aos raides aéreos dos EUA em solo sírio?

Chossudovsky: Já sabemos que os Estados Unidos sempre fizeram uso da estratégia da cooptação no que toca aos seus alegados aliados e, em alguns casos, aos seus Estados fiduciários para que desempenhem o trabalho sujo nos teatros de guerra e contam agora com o apoio da Arábia Saudita, Qatar; contam também com os seus aliados europeus e com o Canadá.

Creio que os líderes desses países, as ditas democracias ocidentais, têm que levantar esta questão: quem é que estamos a apoiar?

Estão a apoiar os terroristas, é claro e óbvio. As incursões de ataques aéreos dirigidas contra a Síria não têm por alvo o EIIL.

O EIIL é um instrumento do governo dos EUA, é uma entidade associada à al-Qaeda.

Costumavam utilizar o nome de al-Qaeda no Iraque e há muito que são uma tradição dos serviços secretos dos Estados Unidos. Os serviços secretos dos EUA apoiam os “jihadistas” e as organizações associadas à al-Qaeda. Muitos dos [membros do] EILL são na realidade ex-membros do Grupo de Combate Islâmico da Líbia (GCIL), mercenários que se juntaram agora ao EIIL e – como bem recordamos – esses mercenários também foram apoiados pelos Estados Unidos e pela OTAN.

Tradução : http://www.geopol.com.pt

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